(11) 2225-2230 contato@cadimoengenharia.com.br
Facebook

Estudo de Caso: Aterramento Perfeito, mas as Descargas Continuavam — Por Quê?

Uma indústria do setor de nutrição animal na Grande São Paulo nos procurou relatando um fenômeno intrigante: durante determinadas operações, os funcionários percebiam centelhamento visível ao manusear equipamentos — um sinal claro de descarga elétrica. A suspeita inicial, como costuma acontecer nesses casos, recaiu sobre o sistema de aterramento.

O que foi investigado

Realizamos a inspeção completa do sistema de aterramento e das interligações equipotenciais de toda a área — estruturas metálicas, máquinas, esteiras e demais massas condutivas. A metodologia incluiu medição de continuidade elétrica com micro-ohmímetro de injeção de corrente (instrumento calibrado, com certificado rastreável) entre 11 pontos distintos da instalação, além da medição de resistência de aterramento com terrômetro.

O que os números mostraram

Os resultados foram conclusivos: todos os 11 pontos apresentaram continuidade elétrica na faixa de dezenas de mili-ohms — valores baixos, característicos de uma boa equipotencialização. A resistência de aterramento também se manteve dentro de parâmetros aceitáveis. Em outras palavras: o sistema de aterramento estava funcionalmente íntegro. Não havia descontinuidade, falha estrutural ou deficiência que explicasse, isoladamente, as descargas relatadas.

Então por que as descargas continuavam?

É aqui que a investigação precisa ir além da medição elétrica pura. Analisando o processo operacional como um todo, identificamos três fatores convergentes de geração de eletricidade estática por efeito triboelétrico — o mesmo princípio físico por trás do choque que se leva ao tocar uma maçaneta depois de andar sobre um tapete sintético.

Primeiro, um componente de borracha usado no processo era armazenado dentro de um invólucro plástico — o contato e a separação entre essas duas superfícies isolantes favorecem o acúmulo de carga, que se descarrega de forma abrupta no momento da manipulação. Segundo, o atrito do material particulado manuseado durante a alimentação dos silos, escoando sobre uma superfície metálica, também gera carga estática. Terceiro, o uniforme dos operadores era composto por aproximadamente 67% de poliéster — material com alta tendência a gerar e reter carga eletrostática, mesmo com calçado antiestático.

Por que isso importa

A combinação desses três fatores — materiais isolantes, atrito mecânico e ausência de dissipação eficaz no ponto de geração — configurou um ambiente propício ao acúmulo de carga, resultando nas descargas observadas. Em um ambiente com material particulado em suspensão, esse tipo de descarga pode representar risco de ignição, dependendo das características do material envolvido.

Conclusão e recomendações

O laudo técnico confirmou: o problema não estava no aterramento, e sim na geração localizada de carga eletrostática com dissipação insuficiente. As recomendações incluíram a substituição do componente de borracha por um material com propriedades dissipativas, a eliminação do acondicionamento em invólucro plástico, a revisão do uniforme dos operadores para tecidos antiestáticos, e a avaliação de dispositivos de equalização de potencial (como pulseiras de aterramento) para os pontos críticos da operação.

O que esse caso ensina

Aterramento correto é condição necessária, mas não suficiente, para eliminar todo risco elétrico de uma instalação. Quando os números do aterramento estão bons e o problema persiste, a causa costuma estar em outro lugar — no processo, nos materiais, na forma como as pessoas interagem com o ambiente. É exatamente esse tipo de investigação que caracteriza uma perícia técnica: não parar na primeira medição que "passa", mas seguir até a causa raiz real.

Precisa de suporte técnico nesse tema?

Fale com a Cadimo Engenharia.

Falar no WhatsApp